Olá amigos!
Quando um tipo acorda às 7 da manhã a 3400 metros de altura, com dores de cabeça e com um frio de rachar a enregelar-nos a espinha, só pensa numa coisa… Que é que eu estou a fazer aqui!??!?! Claro está que este pensamento passa muito rapidamente pois lembramo-nos do brutal desafio para aquele dia… caminhar e voltar a subir, desta feita durante 5 horas, para alcançar a parede sul do Aconcágua, exactamente a 4250 metros de altitude…Não era para meninos este desafio!…
Depois do pequeno-almoço tomado, já com um Sr. Carlos Acuna ligeiramente mais bem disposto, seguimos em direcção ao médico, que é a “entidade” responsável por autorizar ou não que entremos em mais maluquices pela montanha acima… Eu e o Toni entrámos primeiro, o Toni sem dores de cabeça, mas com uma tensão tipo super baixa tipo de um texugo, foi autorizado, eu com a tensão normalíssima apesar das dores de cabeça, também fui!
Seguiu-se o Marco e o Paulinho, e a radical médica cheia de rastas deu também o seu aval :)
Apesar de autorizados, o António e o Paulo resolveram ficar pelo acampamento base e descer mais cedo, aproveitar o sol e tirar fotografias descendo mais calmamente, eu e o Marco, íamos tentar a subida a Plaza Francia…
Partimos os dois sozinhos por volta das 10 da manhã e não sabíamos bem o que nos esperava… Aproveito para lembrar que há cerca de 4 anos, eu o meu grande amigo Paiva já tínhamos tentado esta subida, mas as fortes dores de cabeça advindas da altitude tinham-nos impedido de chegar lá.. este ano tinha de tentar de novo!
A nossa passada inicial foi sempre bastante forte, subindo a um ritmo impecável, parando as vezes necessárias, puxávamos um pelo outro, trabalhávamos em equipa, pois só assim poderíamos conseguir. O início foi bastante duro, com subidas intermináveis, os trilhos completamente irregulares e uma inclinação assim como que para o “puxadota”, mas a paisagem ia compensando tudo… Aliás, 2 horas depois da partida e já com um monumental e bizarro glaciar do nosso lado estávamos a tomar o primeiro benuron que as dores de cabeça já faziam mossa… Mas não íamos desistir…estava mais do que visto que estes 2 iam até ao fim, não fossem as dores de cabeça se tornarem insuportáveis claro…
Apanhámos um grupo de Brasileiros e de Chineses que saíram muito antes de nós, estávamos imparáveis, e assim que vimos a parede sul do Aconcágua a aparecer lá bem ao longe, ganhámos novo fôlego…Sigaaaaaa!
4h e 10 minutos depois, Plaza Francia, e nós, sorrimos! Demos um grande aperto de mão um ao outro e ali nos deitámos encostados a uma rocha a ver o Aconcágua e a descansar do bruto esforço que tínhamos acabado de fazer… Comemos uma sandoca, e pimba, novo benuron para ajudar à descida que foi muiiito, mas muito mais dura do que pensávamos…
A sério, eu nunca imaginei que quando começasse a descer desse por mim a não acreditar que tinha subido aquilo tudo…o meu joelho doía-me muito com o esforço, a cabeça continuava a latejar, e víamos as horas a passar e nunca mais o acampamento base aparecia… Só mesmo 2h e 45 minutos mais tarde é que o vimos…e acreditem…foi violentíssimo… A questão fulcral é que tínhamos de continuar a descer…hoje era o dia do regresso a Mendoza e o Toni e o Paulo esperavam por nós na base do parque…
Estávamos meio que exaustos e com dores muito fortes nos pés, na cabeça, etc… mas a algum custo, no final lá conseguimos…ver o Toni completamente esturrado do sol a vir em nossa direcção para nos dar um grande abraço valeu bem a pena!!!
Correu tudo bem no regresso a Mendoza, e depois do bife que nos serviram há uma da manhã numa esplanada, era hora de descansar a sério…!
Amanhã viagem de regresso a Buenos Aires, mais 10 horinhas de carro!
Bjs e abraços,
Luís M.
PS: Fotos aqui!
Olá amigos!
Depois de 12 h de viagem e após uma gelada cerveja tomada em Mendoza com nativos Mendozianos na noite anterior, seria de esperar que o acordar não fosse assim lá muito pacífico… Enganem-se!! Fiiquei super surpreendido pela genica dos marmanjos que desde logo se mostraram preparadíssimos para atacar o acampamento base do Aconcágua em plena cordilheira montanhosa dos Andes.
Seguimos de carro pela Ruta Nacional nº 7 em direcção a Oeste, na verdade em direcção ao Chile, que fica exactamente atrás dos Andes… Da cidade já se podia observar a imponência daquelas montanhas, mas nada nos podia preparar para o que nos esperava!! Eu já tinha feito os Andes, mas desta vez, de carro, acreditem, é uma experiência bem diferente!
Estávamos numa estrada que ladeava vales rodeados de majestosas montanhas com uma surreal imponência, isto durante quilómetros e quilómetros e quilómetros…O Paulo fora da janela do carro deliciava-se com a máquina fotográfica, o Toni, idem com a máquina de filmar, o Marco a conduzir parecia um solitário do asfalto, a vibrar com cada curva, com cada ultrapassagem, um autêntico Fanj!! De repente aparece um lago cuja cor assim esbranquiçada denunciava que seria água bem gelada proveniente de algum glaciar lá em cima, bem alto nas montanhas… Brutalíssimo!
Ao chegar a Puente del Inca, na base da entrada do parque Natural do Acongágua, apercebemo-nos que a estrelinha da sorte estava do nosso lado… e porquê perguntam vocês ? Ora leiam...
Para tirar uma grande foto, o Marco resolveu colocar a sua máquina fotográfica xpto em cima do carro. Ligou o timer, e começou a correr para nós que fazíamos pose na placa que assinala a entrada do povoado…
De repente, tudo ficou em câmara lenta….a câmara rolou para a esquerda e começou a cair em direcção ao chão com a objectiva bem apontada à berma da estrada completamente cheia de pedras… Antevia-se o pior…adeus objectiva, adeus fotos do Aconcágua…o Marco vira-se, corre como um louco tresmalhado….eu com as mãos na cabeça, impotente a 10 m de distância, observo a catástrofe a segundos de acontecer..…foi quando, por pura sorte, a 20 cm do chão a alça da máquina prende-se na entreaberta porta do carro, e simplesmente pára… Meus amigos..QUE FESTA FIZEMOS!!! Ficámos parvos, mas felizes, e acabámos por tirar a foto na mesma !! Tuga não desiste! :)
Prontinhos para a subida, entrámos no parque Natural Aconcágua, já a 2400 m de altitude e começámos a subir…A paisagem era deslumbrante, os trilhos iniciais brutais, a moral estava elevadíssimo, e continuámos ao longo do rio que por sinal nasce no Aconcágua…. Esta parte inicial era pacífica, estávamos cheios de força, genica e vontade de descobrir aqueles vales, montanhas e tirar as melhores fotos possíveis, mas uns minutos depois, começou a verdadeira subida…
Amigos, quando digo subida, é subida mesmo, não é cá uma subidazita.. é bota subida nisso!!! A não ajudar estavam trilhos por vezes cobertos de pedras, com brutais inclinações, umas vezes com terra, outras com areia, com desníveis acentuados, super irregulares, e não fosse tudo isso, ainda começámos a sentir os efeitos da altitude, com algumas dores de cabeça…
A nossa passada era tranquila e regular, mas lá para trás acabaria por ficar sempre um elemento do nosso quarteto fantástico por quem acabávamos invariavelmente por esperar inúmeras vezes...O Toni, sim, o grande Toni estava literalmente com os bofes de fora! lol ! A subida estava a ser muito agressiva, e nem o facto do Marco já lhe levar a mochila o impedia de praguejar em cada frase! lololol
Não havia volta a dar, não dava para voltar para trás…tínhamos de subir até ao acampamento base, chamado Confluência, fixado a 3300 m de altitude, onde iríamos pernoitar e onde teoricamente teríamos comida, reservada com um tal senhor Carlos Acuna, um senhor que por lá vive e trabalha (conselho do caríssimo amigo Paulo Alves).
Contra todas as minhas expectativas de chegar antes de anoitecer, pumba, passito a passito, atraso com atraso, a noite surgiu rapidamente e nem com o acampamento a 300 metros e já visível, o Toni se mostrava disposto a sorrir! Lol! Estava literalmente em sofrimento, mas nunca, nunca o abandonámos e acabámos todos por chegar e atingir o objectivo inicial, chegar a Confluência!!!
Sem nada no estômago, eram 21h e não havia sinal do sr. Carlos Acuna no acampamento…Após alguma insistência, descobrimos que ele na verdade já estava na sua pequenina tenda a descansar... Foi então que da parte de fora da tenda, tentamos dialogar com ele…
Tugas: - Carlos Acuna 1?
nada…
Tugas: - Carlos Acuna 2?
nada…
Tugas: Carlos Acuna 3?
CA: - Siiiiii
Tugas: - LLegámos agora, tenemos resierva para dormir e comer
CA: - La tienda está aí, usem las camas
Tugas: - Pêro e manjar ?
CA: - No ai nada , termina à las 19h
Tugas: - Estamos esganados de fome!!!
CA: - No ai nada!.....
Indignado com tamanha afronta, finalmente o sr. levanta-se, veste-se e vem cá fora, onde nos indica a tenda e os colchões onde poderíamos dormir…Eu vou atrás dele de regresso à tenda e enquanto os meus compinchas se "instalavam" não desisti…
Tugas: - No tienes pan ? Algo para comer que nos habemos pago!!!
Carlos Acuna rosna e após muita insistência diz-me…
CA: - Diez Mminutos e a comida estará aí servida, se não estiverem ai azar!
Tugas: - Gracias!lol
Quanto ao que ele nos serviu, o Toni ainda hoje classifica como Grotesco!, mas eu cá até não desgostei da espécie de bife com puré de milho!!lololol
Com dores de cabeça enormes, benurons e aspirinas tomados, fomos dormir para a mega tenda em forma de semi-esfera…e meus amigos..que frio estava!!!! Nem de pijama, nem vestido com a roupa normal, dentro do saco cama, foi mesmo uma noite complicadíssima, para quem estava estafado da subida inicial…O que vale é que a meio da noite, uma ida à casa de banho cá fora é inesquecível..o céu é indescritível :)
Amanhã seria outro dia, o dia de tentar subir mais e ir até plaza Francia..um desafio upa upa dado que este ponto se encontra a 4250 metros de altitude...a ver se o médico nos autoriza a subir, a ver se a nossa cabeça aguenta a pressão advinda da grande altitude..
Bjs e abraços,
Luís M.